O Block Editor (antigo Gutenberg) revolucionou a forma como criamos conteúdo no WordPress, mas quem trabalha com sites complexos sabe: ele ainda deixa a desejar para agências e projetos avançados. Recursos como breakpoints responsivos, paletas de cores personalizadas e opções de navegação mais flexíveis não vêm prontos. Foi pensando nisso que a desenvolvedora Johanne Courtright criou o Groundworx, um projeto que amplia as capacidades nativas do editor em blocos.
Em uma conversa recente, Johanne compartilhou sua jornada no desenvolvimento WordPress e explicou como o Groundworx nasceu da necessidade real de agências que precisam de mais controle sem depender de dezenas de plugins. Neste artigo, vou traduzir os principais insights desse papo, mostrar como você pode aplicar essas inovações no seu dia a dia e entender por que o ecossistema de blocos está se tornando o novo padrão para negócios digitais.
Se você é desenvolvedor, designer ou proprietário de agência, continue lendo — o que vem a seguir pode transformar a sua relação com o Gutenberg.
O que é o Groundworx e por que ele foi criado?
O Groundworx não é um plugin comum. Ele funciona como uma camada extra sobre o Block Editor, adicionando funcionalidades que a equipe do WordPress Core optou por não incluir para manter a simplicidade. Johanne explica que a filosofia do Core segue a regra 80/20: atender 80% dos usuários com funcionalidades básicas, deixando os 20% mais exigentes — justamente agências e desenvolvedores — buscarem complementos.
“A regra 80/20 no WordPress Core significa que a plataforma atende à maioria dos usuários, mas agências precisam de soluções especializadas para oferecer sites realmente customizados.” — Johanne Courtright (paráfrase)
O Groundworx surge como uma resposta direta a essa lacuna. Ele oferece blocos personalizados, controle de breakpoints, paletas de cores globais, opções de navegação avançadas e integração com Full Site Editing. Tudo pensado para ambientes onde vários sites são gerenciados e cada cliente tem exigências únicas.
Inovações no Block Editor: breakpoints, paletas e navegação
Johanne destacou três áreas onde o Groundworx eleva o jogo do Gutenberg padrão. Vamos detalhar cada uma.
Breakpoints responsivos inteligentes
No Block Editor nativo, você ajusta o layout para desktop, tablet e mobile manualmente — e, muitas vezes, sem preview confiável. O Groundworx introduz breakpoints customizáveis, permitindo definir larguras específicas para cada breakpoint e visualizar as alterações em tempo real. Isso é essencial para quem trabalha com designs complexos, como grids de Elementor migrados para blocos.
Na prática: você pode definir um breakpoint extra para 1024px (entre tablet e desktop) sem precisar escrever CSS manual. O bloco se adapta como mágica.
Paletas de cores globais com herança
Outro gargalo é o gerenciamento de cores. O Gutenberg permite definir paletas no tema, mas elas são limitadas. O Groundworx cria paletas aninhadas, onde cada bloco pode herdar ou sobrescrever as cores do tema de forma granular. Para agências que trabalham com branding, isso reduz drasticamente o retrabalho.
Opções de navegação e menus
A navegação sempre foi um ponto fraco do Full Site Editing. Com o Groundworx, você ganha um bloco de menu com suporte a megamenu, dropdown com animações e estilização por nível (primeiro item, submenu, etc.). Isso elimina a necessidade de plugins terceiros como Max Mega Menu em muitos projetos.
| Recurso | Gutenberg Padrão | Groundworx |
|---|---|---|
| Breakpoints | Três fixos (mobile, tablet, desktop) | Customizáveis (quantos quiser) |
| Paletas de cores | Até 12 cores fixas no theme.json | Paletas aninhadas com herança |
| Navegação | Menu básico sem megamenu | Megamenu, dropdown, animações |
| Suporte a FSE | Parcial (apenas temas de bloco) | Compatível com temas clássicos e de bloco |
Os desafios do Full Site Editing e a regra 80/20
A transição para o Full Site Editing (FSE) tem sido um dos tópicos mais debatidos na comunidade WordPress. Johanne reconhece que o FSE ainda enfrenta problemas de usabilidade, especialmente para usuários avançados. A rigidez de algumas interfaces e a falta de opções detalhadas tornam o processo de edição global frustrante.
Ela sugere uma abordagem híbrida: usar o FSE para estruturas simples (cabeçalho, rodapé) e blocos personalizados como o Groundworx para áreas que exigem mais controle, como seções de portfólio ou landing pages.
Outro ponto importante é a regra 80/20 mencionada por Johanne. O WordPress Core precisa manter a simplicidade para a maioria. Cabe a plugins e projetos como o Groundworx atender o nicho avançado. Essa divisão é saudável para o ecossistema, mas exige que agências estejam atentas às oportunidades de mercado — criando extensões ou serviços baseados em blocos.
“Se o WordPress tentasse agradar todo mundo, viraria uma plataforma inchada e confusa. A beleza está no equilíbrio entre Core enxuto e ecossistema rico.” — Johanne Courtright (paráfrase)
Plugin discoverability e UX no diretório WordPress
Johanne também abordou um problema enfrentado por muitos criadores de plugins: a descoberta no diretório oficial. Com milhares de extensões, encontrar uma que resolva um problema específico virou um desafio. Ela defende melhorias na experiência do usuário (UX) do diretório, como filtros mais inteligentes, demonstrações interativas e avaliações baseadas em casos de uso reais.
Para quem desenvolve plugins, ela recomenda investir em:
- Descrição clara e objetiva — evite jargões e foque no benefício.
- Capturas de tela e vídeos — mostre o plugin em ação.
- Suporte ativo — responda rapidamente às dúvidas nos fóruns.
- Tags relevantes — use termos que os usuários realmente pesquisam.
Esse cuidado melhora não só a descoberta, mas também a confiança do usuário. Uma boa classificação e reviews positivos são fundamentais para plugins pagos, mas até os gratuitos se destacam com uma apresentação caprichada.
Modelos de negócio baseados em blocos
Johanne enxerga um futuro onde agências vendem bibliotecas de blocos ou temas de bloco premium como produto principal. Em vez de criar sites do zero para cada cliente, você monta um kit de blocos reutilizáveis, customizáveis via Groundworx ou outras soluções. Isso reduz o tempo de desenvolvimento e gera receita recorrente.
Para começar, ela sugere:
- Identifique as necessidades recorrentes dos seus clientes (ex.: seção de depoimentos, grid de serviços, formulário de contato).
- Crie blocos no Groundworx ou usando ACF com blocos nativos.
- Empacote como um plugin interno e venda assinaturas para acesso à biblioteca.
- Ofereça suporte e atualizações contínuas.
Esse modelo se alinha perfeitamente com a tendência de design systems e componentização — conceitos já consolidados no desenvolvimento web moderno.
Conclusão e próximo passo
O Gutenberg não é mais apenas um editor de posts — ele se tornou a base do futuro do WordPress. Projetos como o Groundworx de Johanne Courtright mostram que, com as ferramentas certas, agências podem superar as limitações originais e criar experiências incríveis para seus clientes.
Se você quer se antecipar ao mercado, comece hoje mesmo: experimente o Groundworx, estude a documentação oficial do Gutenberg e comece a construir sua própria biblioteca de blocos. Lembre-se: o ecossistema está em plena evolução, e quem domina as extensões do Block Editor terá uma vantagem competitiva enorme.
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